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As muitas faces de Jorge

São Jorge_crédito Fábio Caffe

Todo dia 23 de abril a cidade do Rio de Janeiro veste-se e arma-se com as roupas e as armas de Jorge, para que “nem mesmo um pensamento os inimigos possam ter para lhe fazerem mal”. Dezenas de milhares de pessoas acorrem às igrejas como a dos Veneráveis Mártires São Gonçalo Garcia e São Jorge, localizada no Campo de Santana, antes mesmo de raiar o dia. São homens e mulheres que, ao longo do ano, enfrentam o dia a dia, batalhando por si e pelos seus. Devotos do santo que estão acostumados a distinguir sua imagem matando o dragão nas sombras das crateras lunares, visíveis nas noites de lua cheia…

O Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular apresenta a mostra “As muitas faces de Jorge”, que traz os aspectos da devoção a São Jorge em várias partes do mundo e, sobretudo, na cidade do Rio de Janeiro, local onde a sua devoção é especialmente expressada.

Na mostra, o público pode descobrir o mito católico de Jorge da Capadócia, e como a fé nesse santo se espalhou por várias partes do mundo. No Brasil, São Jorge tornou-se padroeiro de categorias de ofícios, principalmente as ligadas ao ferro e ao fogo, bem como aquelas relacionadas a situações de combate. São ferreiros, serralheiros, barbeiros, funileiros, cuteleiros, que até os dias atuais relacionam sua profissão à proteção do santo.

Possivelmente vem dessa referência o sincretismo de São Jorge com Ogum, nos terreiros de candomblé e umbanda no Rio de Janeiro e outros estados. Apontado como dono dos caminhos e desbravador das florestas, bem como das oportunidades de realização pessoal, Ogum teria apresentado o ferro aos homens, possibilitando o cultivo da terra, bem como a forja das armas bélicas, como punhais, espadas e lanças. Por conta disso, Ogum é tido como um grande guerreiro, orixá soldado das lutas e demandas.

Para o devoto de São Jorge, o santo traz proteção, traz força e coragem para vencer as batalhas… No alvorecer do 23 de abril, todos cantam seu nome, vestem-se e armam-se com as roupas e as armas de Jorge.

“Jorge sentou praça
Na cavalaria
E eu estou feliz porque
Eu também sou da sua companhia
Eu estou vestido com as roupas
E as armas de Jorge
Para que meus inimigos tenham pés
E não me alcancem
Para que meus inimigos tenham mãos
E não me toquem
Para que meus inimigos tenham olhos
E ao me vejam
E nem mesmo um pensamento eles possam ter
Para me fazer mal…”

(Jorge da Capadócia, Jorge Ben Jor)

Serviço

Período:  28 de abril até 31 de julho de 2011.

Galeria Mestre Vitalino – Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular
Rua do  Catete, 179 (metrô Catete), Rio de Janeiro.

Funcionamento:
Terça a sexta-feira, das 11 às 18h
Sábados, domingos e feriados, das 15 às 18h

Realização
Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP)

Informações
Setor de Difusão Cultural
(21) 2285-0441, ramais 204, 205 e 206

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