A tradição dos blocos do Rio

Camiseta do Barbas 2010. Divulgação

O verão chegou e em terras de São Sebastião do Rio de Janeiro começa o maior espetáculo da terra… Dizem alguns que é ali na Sapucaí que Deus tira uma folga (no domingo de carnaval) para escutar a bateria de Portela, ver as passistas do Salgueiro e a velha guarda do Império desfilar. Para outros, é no entorno da passarela do samba – Lapa, Estácio, Centro e Cidade Nova, como também em outras adjacências – Zona Sul e Norte – que começa o carnaval mais popular do País, democrático sem cordas e pipocas, repleto de alegria e música. São os blocos que neste mês de janeiro já começam os ensaios. O Rio oferece um cardápio para todos os gostos, seja o Suvaco de Cristo ou o Bloco de Segunda; como também o irreverente Meu bem volto já e a tradição dos Escravos da Mauá… Nas ruas tem humor, descontração e um espírito libertário que faz do carnaval essa festa eterna.

A origem dos blocos

No livro “Blocos”, do jornalista e pesquisador musical João Pimentel, o autor conta que o carnaval de rua do Rio de Janeiro teve sua origem nos chamados entrudos, festa de origem portuguesa chamada “Adeus à carne”. No Brasil, essa forma de brincar – que consistia num folguedo alegre, mas violento – já pôde ser notada em meados do século XVI. A brincadeira era mais ou menos assim: “os escravos esquentavam a cera para fazer os recipientes, preenchidos pelos filhos de senhores com todos os tipos de líquidos. Jovens, velhos, senhores, escravos esperavam algum desavisado passar pela rua e, em bando, cercavam o sujeito, jogando na cara dele desde farinha a ovos e até urina. É claro que a brincadeira, na maioria das vezes, não acabava bem”.

A brincadeira do entrudo

Apenas no século XX, na gestão do prefeito Pereira Passos (aquele responsável pela dita “modernização” do Rio, com a retirada dos cortiços e da classe pobre do centro da cidade) que o entrudo desapareceu. À época, outras manifestações populares já tomavam conta das ruas, como os ranchos, os cordões e os blocos.

Os ranchos surgiram das mãos de Hilário Jovino Ferreira, um tenente envolvido com as manifestações da cultura negra. Segundo o jornalista João Pimentel, foi Jovino quem ajudou a criar os ranchos Reis de Ouros, Ameno Resedá e Reino das Magnólias, como também dar à tradição das festas de reis da Bahia um caráter diferente que iria influenciar nas escolas de samba do Rio.

Essa manifestação contava com instrumentos musicais de cordas, como o violão e o cavaquinho, e de sopro, como flautas e clarinetas. Já os blocos e cordões imprimiram ao carnaval o seu jeito popular, embalados por instrumentos de percussão, cantavam músicas próprias, carregavam um estandarte e eram comandados por um mestre e seu apito.

Os ranchos e cordões praticamente desapareceram da cultura de rua do Rio de Janeiro. Parte de seus elementos foram incorporados aos blocos, que hoje representam a diversidade e riqueza do carnaval mais popular do País.

A seguir, o vídeo do Cordão do Boitatá, com seus sopros, sua cadência e canções – das marchinhas às músicas juninas e pastoris.


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Uma resposta para “A tradição dos blocos do Rio

  1. Ha, queria eu ter visto a cena do ENTRUDOS. O que Nelson Rodrigues diria sobre? Essa festa ‘e o que tem, apesar do incidente que, com certeza, vai diminuir o ritmo da farra das escolas atingidas. SARAVA!!

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