Poema do morro

por André Felipe Souza Cecílio
Do blog Conversa com versos

Estalos no escuro.
Noite de São João.

– Aqui, toda noite é de São João.
Bombas e fogos cruzam o céu
onde as estrelas se apagam assustadas
ante os lampejos nunca festivos.

Brincadeira já morreu
no fogo das fogueiras.

-pequenas bocas do Inferno
esquecido ao pé dos morros
crepitam sob as sombras.

Dante não sobreviveria.

– Quem não alimenta a fogueira
por ela é engolido.

Nos becos, canta a voz de Deus.
mas quem reina é o Diabo.

Às sombras das brasas,
não há criança que dance
que não seja adulta.

No céu, a lua é vazia.
– Em noite de São João,
São Jorge inexiste.
Nem o santo, nem a espada.

E o dragão assombra livre.

O “Poema do Morro” foi escrito pelo poeta André Felipe Souza Cecílio. Artista de peito cheio, multi-artista – seja com a guitarra tocando George Harrison e “The Beatles” ou nos palcos recitando poesia, interpretando, oferecendo a sua arte. André é mineiro, filho da minha amiga Andréa Souza, e publica seus versos e prosas no blog “Conversa com Versos”, que ora ofereço a vocês!

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