Arquivo do mês: outubro 2010

A música brasileira – Zé Kéti (2000)

Zé Kéti gravou o programa EnsaiO, dirigido por Fernando Faro, em 1973, aos 51 anos de idade, em plena forma. O disco, lançado no ano 2000 pelo Sesc-SP, é um presente para os fãs do samba. Na primeira faixa temos a voz direta de Zé Kéti – acompanhada apenas pelo violão de Eduardo Gudin e pela caixinha de fósforos do próprio sambista – cantando “Quanto riso, quanta alegria/ Mais de mil palhaços no salão”. Ao final da música ele explica que Máscara Negra foi o seu maior sucesso, em 1967, mas faz a ressalva: “Dinheiro? Bom, não deu pra fazer a minha independência financeira, mas deu pra ganhar alguma coisinha, né?”.

Logo em seguida emenda o sucesso seguinte, Amor de Carnaval, de 1968 (“Uma música que pegou e até hoje a turma canta”). “A turma” continua até hoje cantando muitos sambas de Zé Kéti gravados nessa entrevista musical, como Diz que Fui por Aí, Mascarada, Opinião, Acender as Velas, Malvadeza Durão ou A Voz do Morro, seu primeiro sucesso, gravado por Jorge Goulart. Mas no disco também é possível encontrar relíquias, como Meu Pai Morreu, que Zé Kéti canta sozinho, só com a caixa de fósforos, e que compôs para a memória do pai, que morreu envenenado tomando uma xícara de café.

As diversas fases de sua carreira são resumidas no disco. A participação no espetáculo Opinião, ao lado de João do Vale (“um caboclo nordestino muito bom”) e Nara Leão (“representando a mocinha de Copacabana, bacana e grã-fina”), a atuação como diretor musical do bar Zicartola, ou a organização do grupo A Voz do Morro (“o primeiro grupo de samba autêntico do Brasil”) – que juntava Elton Medeiros, Paulinho da Viola, Anescarzinho do Salgueiro, Jair do Cavaquinho, Nelson Sargento, Oscar Bigode –, com quem gravou Peço Licença (que o portelense Zé Kéti fez para poder namorar uma pastora da Mangueira), Não Sou Feliz (gravada por Cyro Monteiro, que “introduziu a caixa de fósforos no cenário da música popular brasileira”), Leviana, ou a belíssima Jaqueira da Portela.

Autenticidade aqui é algo que não pode ser posto em dúvida. Tendo por todo o disco o acompanhamento apenas do violão de Gudin – adiantando uma espécie de “acústico” intimista – Zé Kéti mostra versões bem particulares de suas composições, imprimindo a este disco a qualidade de preciosidade.

Com informações de Nana Vaz de Castro.

Para baixar “A Música Brasileira deste século por seus autores e intérpretes – Zé Kéti” clique aqui.

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