Arquivo do mês: setembro 2010

“Pops”, biografia de Louis Armstrong

***Texto muito bom do jornalista Luiz Felipe Reis, de O Globo (03 de setembro de 2010)… Para os amantes do Jazz e da História.

RIO – O bairro de Storyville era de uma pobreza abjeta. A miséria da comunidade negra em meio à segregação, a epidemias e a demais ultrajes espelhava a realidade de Nova Orleans e de outras cidades do Sul dos Estados Unidos na virada do século XX. Em 4 agosto de 1901, Louis Daniel Armstrong era o mais novo rebento desse cenário inóspito. Cercado por viciados em jogo, vigaristas, mafiosos, cafetões, ladrões e prostitutas – entre elas, sua mãe -, fora abandonado pelo pai aos 11 anos e arremessado, em seguida, nas dependências do reformatório Colored Waif’s Home, após disparar tiros de um 38 às vésperas do ano novo. As mãos no ferro o levaram à corneta, na banda da instituição. E o jovem esquálido, dono de uma chamativa bocarra, deixaria para trás as páginas policiais para soprar os ares que imprimiram um novo ritmo à História do jazz e da música americana. Fruto da miséria social, mas de um fervilhante caldeirão musical, a saga de Louis Armstrong se espraia em detalhes minuciosos em “Pops”, biografia assinada por Terry Teachout que chega ao Brasil pela editora Larousse.

– Apesar da miséria, em Nova Orleans se escutava todo tipo de música, e o jazz começava a ganhar forma quando Armstrong era um menino. Ele cresceu ao mesmo tempo em que o gênero se afirmava. Foi o ‘timing’ perfeito – diz o autor ao GLOBO.

Em “Pops”, não há diferença entre o artista e o homem. Por inteiro dentro e fora do palco, sua música era a “manifestação externa de profundas vivências”, conta Teachout.

– Escutar suas canções é entender que tipo de homem ele era. Otimista e esperançoso, mas de modo algum inocente ou alienado em relação aos percalços da vida – enfatiza o autor.

Devoto da música, nem a proximidade da morte – em decorrência de complicações cardíacas, em 1971 – tirou dele o ímpeto de tocar, mesmo contrariando recomendações médicas: “Doutor, não me importo. Minha vida, minha alma, meu espírito, é tocar aquele trompete”, teria dito. E foi justamente a teimosia, ou melhor, a obstinação, aliada ao talento indistinto, que o transformou num ícone. No prólogo, três afirmações significativas dão o tom da obra de Teachout, que não patina em hipérboles, exageros ou imprecisões para exultar as façanhas do músico: “Armstrong não inventou o jazz, não foi sua primeira figura importante, e não é correto afirmar que foi o primeiro grande solista do gênero”, decreta o autor. Indiscutível, porém, é dizer que Armstrong foi o mais popular e influente dos primeiros solistas de jazz. As inovações rítmicas e melódicas, a voz granulada e repleta de modulações, assim como o expressivo sorriso de 1.000 watts e seus olhos esbugalhados moldaram também um “entertainer”. Artista magnético, Armstrong partiu da potência emotiva do blues, explorou a sofisticação das óperas e dobrou barreiras impensáveis para um músico de jazz, numa época em que puristas – críticos ou jazzistas – já lhe torciam o nariz, pela velhice ou pela extrema popularidade: desbancou os Beatles do topo das paradas com o single “Hello, Dolly!”, em 1964.

– Foi um gigante. A mais inovadora e influente figura da História do jazz. Acima de tudo, um dos maiores solistas – destaca o autor. – Quando começou a gravar, em 1923, o jazz ainda era uma expressão coletiva. Foi Armstrong quem alterou essa dinâmica e se fez o “entertainer” capaz de fazer sua música ser apreciada por pessoas comuns ao redor do mundo.

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Arte de Portas Abertas comemora a 20ª edição

Todos os caminhos da arte e da cultura levam a Santa Teresa nos próximos dias 04, 05, 11 e 12 de setembro – dois finais de semana consecutivos – quando os cariocas e turistas tem um encontro marcado com 80 artistas divididos em 39 ateliês e 13 espaços culturais do bairro, na 20ª edição do projeto Arte de Portas Abertas.

A iniciativa tem levado a cada ano milhares de pessoas a visitar o bairro, que é o equivalente carioca à parisiense Montmartre, já que lá está concentrado o maior número de ateliês do Rio de Janeiro. Em Santa os visitantes poderão entrar em contato com os artistas e participar das atividades nos seis espaços culturais.

O 20° Arte de Portas Abertas será marcado por diversas novidades. Para começar o Centro Cultural Laurinda Santos Lobo ambienta a exposição ÍNDICE onde uma obra de cada um dos artistas que abrem seus ateliês será exposta, oferecendo ao espectador a possibilidade de montar seu próprio roteiro a partir de um mapa das artes. Outra novidade deste ano são as exposições de artistas sócios da Chave Mestra (Associação dos Artistas Visuais de Santa Teresa), organizadora do evento, que trabalham em outros locais ou que, por motivos vários, não podem abrir seus estúdios em Santa Teresa. Em seis dos 13 espaços de cultura que estão participando do Arte de Portas Abertas, a Chave Mestra montou exposições coletivas e individuais de seus artistas associados. As coletivas estão na Casa Amarela, no Centro Cultural Laurinda Santos Lobo, no Museu da Chácara do Céu e no Parque das Ruínas. As individuais no Museu Casa de Benjamin Constant e no Castelinho 38

A abertura do evento acontece no dia 3 de setembro, às 18h, no Parque das Ruínas com a exposição coletiva “Reflexão / Memória”, com os artistas Célia Pattacini, Edson Silveira, Dony Gonçalves, Cleone Augusto, Marcia Limani e Célia Cotrim que estará lançando seu mais recente livro intitulado ”Livro das Transparências” e a participação do coletivo Filé de Peixe com projeções de vídeos.

Outra grande sensação desta edição do Arte de Portas Abertas estará por conta do querido bondinho de Santa Teresa. A partir do dia 3 de setembro, quem subir as ladeiras do bairro poderá ver de perto o “bonde flutuante”, intervenção da artista plástica e designer Vanda Martins, que com trabalho de iluminação fará com que dois bondes dêem a impressão de estarem flutuando nos trilhos. Os bondinhos ficarão “flutuando” até o dia 13 de setembro.

Outra novidade é o estúdio dos fotógrafos Renan Cepeda, Kitty Paranaguá e Thiago Barros que inauguram um ateliê exclusivamente dedicado à fotografia durante o evento.

No site http://www.chavemestra.com.br: todas as informações sobre as exposições, artistas, mapa das artes, roteiro gastronômico, entre outros.

Fonte: Revista Museu = http://www.revistamuseu.com.br