Fronteira

No fundo fronteira
Rasa, atroz sem eira
Ou beira de mar,
De céu,
De deserto.

No fundo fronteira
Sertaneja cor de terra
Sagrada pelo Rio
Que dita as leis e reza.

Fronteira no fundo
Somos nós
Clara e escurecida,
Branca névoa
Fragmentos de corpo
E de palavra.

Corpo costurado,
Palavra des-costurada,
Paisagens em recostura
Por linha e cinzel.
Porque no fundo
Fronteira:
Incomunicável
Silenciosa
De água.

No fundo
O desassossego
De viver em fronteira.

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2 Respostas para “Fronteira

  1. tudo mais colorido…lindo!

  2. “Existe sempre alguma coisa ausente que me atormenta” – lembrei de Camile Claudel por causa do “desassossego de viver em fronteira” – linha imaginária que separa qual o quê?

    Mas a primeira lembrança que me ocorreu mesmo foi a de ouvir este lindo poema recitado pelo próprio autor numa noite de muito samba em sobrado mágico no topo de uma ladeira.

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