Enfim, Luz

por Luiz Fernando Vianna

RIO DE JANEIRO – Moacyr Luz tem 52 anos, nove discos solo, canções gravadas por Maria Bethânia, Nana Caymmi e Gilberto Gil, uma rica e profícua parceria com Aldir Blanc, mas ainda é um compositor pouco conhecido -ou reconhecido.
Em parte, o próprio Moacyr é responsável por isso. Assumiu, em vez da estampa do artista sério, o personagem do perfeito boêmio carioca, que conhece todos os bares, seus fregueses e petiscos, e escreve sobre eles, tornando-se uma espécie de ombudsman da botequinagem.

Assumiu por um motivo apenas: ele é de fato esta pessoa.
Aquele clichê “um carioca como não se faz mais” se torna concreto com Moacyr. Mesmo forçado a trocar o chope pelo vinho, ele continua sendo o melhor carioca que se pode conhecer. Tem humor inteligente e ilimitado, e ainda comanda duas das melhores rodas de samba da cidade.

Não por acaso, é consultor e ídolo dos bares paulistanos que se inspiram no Rio. Até lançará um livro sobre o Pirajá, no estabelecimento de Pinheiros, em 21 de agosto. O livro também tem textos de Ruy Castro e ilustrações de Jaguar.
Mas, para almejar o reconhecimento que sua obra merece, Moacyr está ganhando o empurrão de outro carioca notório. Zeca Pagodinho escolheu para faixa-título de seu próximo CD, com lançamento previsto para setembro, “Vida da Minha Vida”, um belo samba feito por Moacyr com Sereno, do Fundo de Quintal.

Ser gravado por Zeca garante a injeção de uma quantia de cinco dígitos na conta e a música tocando no rádio. Melhor ainda se, ao contrário do que aconteceu com “Deixa a Vida me Levar” -que pouca gente sabe ser de Serginho Meriti-, a gravação ajudar a fazer de Moacyr Luz, enfim, um carioca nacional. Mas, se isto não acontecer, ele continuará a ser o carioca perfeito, o que já é bastante coisa.

ps.: Luiz Fernando Vianna está há quatro anos na Sucursal do Rio da Folha, cobrindo música e cultura. Antes daFolha, foi repórter e subeditor do Segundo Caderno do “Globo” e editor do Caderno B do “Jornal do Brasil”.

Vianna escreveu três livros sobre samba entre 2003 e 2004: “Zeca Pagodinho – A Vida que se Deixa Levar”, “Heranças do Samba” (junto com Aldir Blanc e Hugo Sukman) e “Geografia Carioca do Samba”. Foi jurado dos desfiles do Rio em 1996 e 1997.

O texto “Enfim, Luz” foi publicado na Folha neste domingo.

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