Arquivo do mês: agosto 2009

Jazz Festival Brasil presta homenagem a Benny Goodman

7ª edição do festival começa na próxima quinta  (27) em Belo Horizonte

Ruy Castro contou certa vez nas páginas brilhantes de “Tempestade de Ritmos” que foi no ano de 1937, mês de março, que aconteceu pela primeira vez. Um músico subiu ao palco do Teatro Paramonunt, em Nova York, e ao som do primeiro acorde o público caiu em delírio. Quatro mil jovens começaram a uivar e a dançar “jitterburg”, uma continuação do “cheek to cheek”, só que com piruetas, passos rápidos e muita sensualidade. O artista responsável por aquele furor era um jovem de 27 anos, filho de uma família paupérrima de judeus poloneses, um clarinetista chamado Benny Goodman.

Goodman transformou-se, a partir daquele ano, no símbolo da segunda Era do Jazz: o Swing. Após o nascimento do jazz no final do século XIX, do seu período de ouro na “Belle Époque” que contou com nomes de peso como Louis Armstrong, Duke Ellington e Ella Fitzgerald e que teve o seu desfecho com a chegada da Grande Depressão de 1929, o Swing aparecia para dar novo impulso ao sonho americano e colocar todo mundo pra dançar. Para os críticos, Benny Goodman e outros músicos fizeram a fusão de ritmos populares negros com a música européia de concerto, com predomínio dos naipes de trompetes, trombones e saxofones.

Benny Goodman - o Rei do Swing

Benny Goodman - o Rei do Swing

Agora para os fãs das big bands e da música de Benny Goodman, uma oportunidade irresistível. O Jazz Festival Brasil chega a Belo Horizonte, na próxima quinta-feira (27/08), trazendo na bagagem um seleto grupo de feras, vindos de várias partes do mundo. O objetivo é um só homenagear o Rei do Swing, que completaria 100 anos em 2009.

Veja uma das apresentações lendárias de Goodman.

A 7ª Edição do Jazz Festival Brasil acontece em BH entre os dias 27 e 30 de agosto, no Palácio das Artes.  O show principal de homenagem a Benny Goodman será do clarinetista Bob Wilber, 81 anos, que ficou conhecido pela trilha sonora do filme “Cotton Club” (dirigido por Francis Ford Coppola, em 1984) e por ter sido aluno do famoso Sidney Bechet.

Veja uma apresentação de Bob Wilber.

O Jazz Festival Brasil vai contar também com Luis Fernando Veríssimo e Jazz 6 (Brasil), Gunhild Carling (Suécia/Brasil), Gangbé Brass Band (África/França), Kristine Mills (EUA), Swiss College Dixie Band (Suíça/Brasil). Para ver a programação completa clique aqui.

Os ingressos são a preços acessíveis: R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia-entrada).

Na próxima quinta, vou colocar o meu paletó, o meu sapato menos gasto e vou para o Palácio das Artes escutar a música quente do swing e das big bands. Lembrar um pouco que Nova York em 1937 existiu.

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Em 1950, Benny Goodman fez um concerto histórico no Carnegie Hall. Dele foram gravados uma série de acetatos, transformados depois num LP pela Columbia. Segundo Ruy Castro, o disco é considerado o mais vendido na história do jazz.

Humberto Mauro apresenta o melhor do Jazz no Cinema

Manhattam, Nova York, década de 70. Isaac Davis vive uma crise existencial da meia-idade, e sofre entre a namorada infantil de 17 anos e a ex-esposa lésbica, Jill, que está escrevendo um livro sobre o casamento deles. Na tela, cenas do cotidiano do povo nova iorquino, repletas de humor e sacadas típicas de Woody Allen. Na trilha que percorre toda a história está uma das lendas do jazz, George Gershiwin.

Cena de "Manhattam", de Woody Allen

Cena de "Manhattam", de Woody Allen

Harlem, Nova York, 1928. Dixie (Richard Gere), um músico, salva a vida de Arthur “Dutch Schultz” (James Remar), um gângster, quando este foi vítima de um atentado. Imediatamente, Dutch chama Dixie para trabalhar com ele. O músico passa então a circular no Cotton Club, uma elegante casa noturna na qual artistas negros se apresentam para um público formado exclusivamente para brancos. O filme dirigido por Francis Ford Coppola retrata a história do apogeu do jazz e do crime organizado nos anos 30 nos EUA. A trilha sonora é de John Barry.

Esses dois exemplos fazem parte da mostra “O Jazz no Cinema”, que está em cartaz no Cine Humberto Mauro até o dia 20 de agosto. Idealizada em parceria com o Jazz Festival Brasil, a mostra reúne filmes que foram de alguma maneira atravessados por esse gênero musical, que nasceu nas ruas de Nova Orleans, Chicago e Nova York e se espalhou pelo mundo.

Uma oportunidade para os fãs do Jazz se deliciarem com Miles Davis, em “Ascensor para o Cadafalso”, do francês Louis Malle; Duke Ellignton em “Anatomia de um crime”, de Otto Preminger; e escutar o trabalho primoroso de Henry Mancini em “A Marca da Maldade”, dirigido pelo não menos genial Orson Welles.

Quem tiver tempo, deve correr para o cinema.

Ouça “Someone To Watch Over Me”, de George Gershwin, que está no album “Manhattam”, com toda a trilha sonora do filme.

Quem quiser baixar o disco “Manhattam” clique aqui.

Programação “O Jazz no Cinema”

18 TER
17h Sombras
19h Ascensor para o Cadafalso
21h Manhattan

19 QUA
17h Ascensor para o Cadafalso
21h Blow Up

20 QUI
17h A Marca da Maldade19h Cotton Club21h10 Sombras

O JAZZ NO CINEMA: R$ 5,00 (INTEIRA) E R$ 2,50 (MEIA).