Arquivo do mês: junho 2009

Marcos Sacramento canta Samba na Cabeça

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Quarto disco da carreira traz a herança do violão brasileiro

O cantor e compositor carioca Marcos Sacramento está lançando pela Biscoito Fino o seu quarto disco, intitulado “Na Cabeça”. Porém, diferentemente dos projetos anteriores com a marca percussiva, Sacramento reuniu três grandes músicos – Zé Paulo Becker (Trio Madeira Brasil), Luis Flavio Alcofra (Água de Moringa) e Rogério Caetano, todos feras na arte do violão, para acompanhá-lo.

“Na Cabeça” surgiu do encontro de Sacramento com os três músicos e conta com duas músicas inéditas, “Calúnia” e “Pavio”, além da faixa que leva o nome do disco. Outras músicas que já haviam sido gravadas pelo cantor ganham um novo arranjo neste álbum, caso de “Morena” que perdeu o “batuque” e ganhou a sonoridade do violão de Zé Paulo Becker.

“O disco surgiu do meu encontro com estes três músicos” – relaciona Marcos Sacramento. “Fizemos uma temporada no Rio e fomos buscando uma sonoridade. Rogério não tem papas nos dedos: leva o 7 cordas às últimas consequências. Zé Paulo é solista por natureza e traz elementos fortes de contemporaneidade. Luis Flavio é um mestre nas harmonias. Não tinha como não ser pancadaria” – define.

“Na Cabeça” traz consigo a herança de mestres como Baden Powell, Dino Sete Cordas, Meira e Raphael Rabello, além das lições dos contemporâneos Marco Pereira, Yamandú Costa e Maurício Carrilho.

Com o objetivo de quebrar a linha de samba do álbum, Sacramento incluiu ainda “Prisioneiro do mar”, um bolero mexicano sucesso gravado pelo Trio Irakitan. Segundo o cantor, a música ganha contornos de um Brasil rural no arranjo de Rogério Caetano.

“Rogério vem do Brasil central, traz uma informação musical muito grande de lá. Escutei ele dedilhando o violão na van, durante uma excursão. Parecia uma guarania, um bolero. Pedi que ele a cantasse e me apaixonei pela música”, afirma Sacramento.

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Completam o álbum, clássicos como Último Desejo (Noel Rosa), “Sim” (Cartola) e “Minha palhoça” (J.Cascata). O disco fecha com uma canção de Chico Buarque, “A Rosa”, em bela versão.

Para escutar o disco “Na cabeça” clique aqui.

Literatura beat ganha lançamentos

O escritor beat Jack Kerouac

O escritor beat Jack Kerouac

Para quem gosta da literatura beat, duas interesantes obras acabam de chegar às livrarias: “E os Hipopótamos Foram Cozidos em seus Tanques”, de Jack Kerouac e William Burroughs (Companhia das Letras, 176 págs., R$ 34), e “A Geração Beat”, de Kerouac (L&PM, 128 págs., R$ 12).

Escrito em 1945, o livro de Kerouac e Burroughs só foi publicado nos EUA no ano passado. Segundo a crítica, a obra é um ótimo exemplo daquilo que a literatura beat tem de melhor e de pior. Já “A Geração Beat” é leitura indispensável para se entender o movimento em todas as suas vertentes e desdobramentos.

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Sinopse de “A Geração Beat”

Em uma manhã do ano de 1953, um grupo de amigos e amigas, trabalhadores e operários em sua maioria – alguns vadios, é verdade –, partilham uma garrafa de vinho, que passa de mão em mão. Assim, com poucos personagens, tem início Geração Beat, peça que Jack Kerouac (1922-1969) escreveu em 1957 – ano do estrondoso sucesso de On the Road – e que só agora vem a público.

Por meio de diálogos que parecem imitar um jazz de ritmo sincopado, Kerouac, verdadeiro mestre-compositor, criador de maravilhosos arranjos, mostra a existência de pessoas reais, vivendo e morrendo no sonho americano, à margem da cultura e da sociedade do seu tempo. Entre uma discussão existencialista e uma corrida de cavalos, uma iluminação mística e uma bebedeira, surge o coração e a alma da geração beat, mentalidade que germinou durante décadas e acabou por florescer na contra cultura norte-americana da década de 1960. Nada mais nada menos do que uma América autêntica e alternativa.

Confidência de um jornalista cultural que não vai ao teatro

Eu quase não vou ao teatro. Nos últimos quatro anos, posso dizer que assisti a uns sete ou oito espetáculos teatrais. O que não representa nada perto do número de filmes que vi, livros que li sobre os mais diversos assuntos e discos que fui catalogando e escutando com puro deleite. Escrever sobre cultura tem a ver, é claro, com gosto; mas, como manda a cartilha de todo bom jornalista cultural, pesquisar, estar aberto a todas as possibilidades artísticas, conhecer as técnicas e, principalmente, estar sempre na rua, espaço por excelência da vida e, em decorrência, da arte, é regra, que deve ser seguida.

No entanto, nada é tão ideal assim; e por um motivo ou outro, eu não ia ao teatro. Mas, eis que surgiu o Núcleo de Jornalismo Cultural do Galpão Cine Horto, uma proposta inovadora, como tantas do grupo Galpão: alunos de comunicação, jornalistas, profissionais das Ciências Sociais, Letras, Belas Artes, Filosofia, gente das mais variadas formações se encontravam todas as quintas-feiras para conhecer um pouco das teorias e técnicas da cobertura jornalística de cultura.

A última etapa do curso dizia respeito à parte prática: tratava-se da cobertura do Festival de Cenas Curtas, com produção de reportagens, entrevistas e críticas teatrais. Para mim, era a certeza de uma maratona de cenas; e, obviamente, um misto de apreensão e euforia quanto à qualidade delas. Tinha a certeza que iria ver bons trabalhos. A questão era o número de cenas ruins que estava pela frente.

Mas, para minha surpresa, logo na abertura do festival uma canção dramática de Bethânia e Cafusca chorando em profusão de lágrimas porque seu marido-palhaço havia lhe deixado. Era o “Boxe com Palhaçada”, que ganhara como a melhor cena do Festival Breves Cenas, de Manaus, e estava participando como convidado em Belo Horizonte. O público não parou de rir…

Por falar nisso, a última participação do Cenas Curtas 2009, “O Seqüestro”, de Salvador também homenageava a profissão do clown. Uma dupla de palhaços seqüestrava um bebê e se metia em inúmeras trapalhadas. Para nós, o público, um sentimento de alma lavada e a lembrança de Carlitos.

Outra surpresa foi “Dia de Prova”, de Curitiba, que usando a técnica da máscara neutra apresentou uma cena perfeita, lírica e cheia de expressividade, presente em cada movimento mínimo dos corpos.  Vi ainda a cena “A Mudança”, do Cia. do Chá, um diálogo com o romance “Metamorfose”, de Franz Kafka. Na cena em ritmo de “thriller”, Gregor acorda absurdamente mudado. Mas ao contrário dos silêncios e desprezo velado da família Samsa (obra literária), surge a ironia e o deboche – com pai, mãe e irmã jogando bolinhas de naftalina para o personagem transformado em inseto.

Vendo aquelas várias cenas, senti um misto de prazer, desgosto, incômodo, tédio, incompreensão, êxtase, riso e alívio. Me surpreendi. Ri diante do improvável improviso.

Por tudo isso, talvez me pareça que o TEATRO SEJA A ARTE DO FUTURO. Mais do que as outras artes e contrariando a voz de alguns críticos que afirmam que esse mesmo teatro caiu no ostracismo, digo que, talvez, o TEATRO SEJA A ARTE MAIS NECESSÁRIA.

Neste nosso tempo de máquinas, comunicações, celulares, TVs, sites, chats, blogs, vlogs, redes, relacionamentos online, pulverização da imagem e do virtual, isso sem falar do capitalismo e individualismo exacerbados. Tempo em que as distâncias acabaram, mas prevalece o preconceito, a dificuldade de lidar com o diferente, com o Humano, tempo da não tolerância e da não-palavra. A arte teatral tem papel fundamental.

Isso porque o teatro não é nada sem o público. O teatro não é nada sem o humano. Todo espetáculo é uma doação; o ator está doando a arte que produziu e, ao mesmo tempo, doando seu corpo, seu sangue. O teatro e também a arte do presente. Cada espetáculo se transforma no momento em que é apresentado, depende do acaso, da energia entre o público e o ator; é, portanto, único. Essa urgência traz um poder muito grande para o teatro, é como se se colocasse um espelho no palco e o público se visse por inteiro.

Desse modo, mesmo naquelas cenas que não gostei vi a doação e a generosidade do ator, e não pude deixar de sentir respeito por quem estava ali, no palco do Cine Horto.

Ao Cenas Curtas mais 100 anos de vida, pela experimentação, pela possibilidade do diálogo entre o novo e o velho, pela maturidade do grupo Galpão em forjar os moldes de um festival que tem tudo para apontar os rumos de novos tempos. Meus parabéns!

Prosa Indica: Festival de Cenas Curtas

Festival de Cenas Curtas comemora sua 10ª edição

10 anos! Nesse tempo, mais de 10.000 pessoas assistiram o Cenas Curtas seja no palco ou nas ruas e praças de Belo Horizonte. Foram mais de 1.100 artistas, 70 técnicos e técnicas desenvolvidas e aplicadas com o único objetivo de fazer arte, de inovar.

Na última década, foram mais de 1.160 cenas inscritas, de atores das mais diversas partes desse Brasil. Do Rio de Janeiro, de São Paulo, Curitiba, Campinas, Sorocaba, Ipatinga e Manaus.

Além disso, diversas cenas que nasceram da coragem e do impulso de experimentação de gente jovem, que queria subir ao palco para dar o seu recado, transformaram-se em espetáculo, fizeram história. É só observar o Espanca!, que ao apresentar a cena “Por Elise” no palco do Galpão Cine Horto nasceu enquanto grupo, iniciou sua trajetória.

Atenção!! Salve, salve!! Respeitável público! O Boxe com Palhaçada acaba chegar do norte, do Amazonas, para fazer sua história no palco da capital mineira.

A 10ª edição do Festival de Cenas Curtas, do Galpão Cine Horto, começa hoje e vai celebrar durante quatro dias a experimentação, o estímulo à criatividade e a diversidade de técnicas e formas teatrais que se tornaram a marca desses dez anos do evento. Serão 17 cenas de palco (sendo uma convidada), além de uma programação paralela que reunirá debates, festas, shows e um blog totalmente dedicado ao teatro.

Cena 'Dia da Prova', da Companhia Ator Cômico, que será apresentada no Cenas Curtas

Cena 'Dia da Prova', da Companhia Ator Cômico, que será apresentada no Cenas Curtas

Neste ano acontecerá ainda a segunda edição do projeto Cena Espetáculo, no qual uma cena eleita receberá apoio de infra-estrutura, verba de R$ 5.000,00 e uma orientação dramatúrgica de Luís Alberto de Abreu para ser transformada em espetáculo, que ficará em curta temporada no próprio palco do Galpão.

No domingo, último dia do festival, artistas e público poderão participar da Festa de Aniversário, com shows ao vivo e participações de importantes nomes da música mineira, como Sérgio Pererê, Fernando Muzzi, Babaya e Janaína Moreno. O evento de encerramento será dirigido pela “Casa de Passagem”, um coletivo de artistas mineiros que propõe a ocupação de novos espaços para encontros e diálogos culturais.

SERVIÇO
10º Festival de Cenas Curtas do Galpão Cine Horto
De 18 a 21 de junho
Quinta a sábado, 21h | Domingo, 19h
No Galpão Cine Horto
Rua Pitangui, 3.613 | Horto
Temporada das mais votadas:
De 25 a 28 de junho
Ingressos: R$20 (inteira) | R$10 (meia)
INFORMAÇÕES PARA O PÚBLICO: (31) 3481-5580 ou http://www.galpaocinehorto.com.br

FESTA DE ANIVERSÁRIO
Dia 21 JUN | Domingo, a partir das 21h
No Galpão Cine Horto
Ingressos: R$10 e R$8 (com Passaporte Cultural Galpão Cine Horto)
Os ingressos serão vendidos na bilheteria do Galpão Cine Horto durante os quatro dias de Festival