Disco na Vitrola 1

Joyce e o seu Passarinho Urbano

Capa Passarinho Urbano

Capa Passarinho Urbano

Para inaugurar o espaço Disco na Vitrola, do  blog Prosa com Cultura, resolvi presentear os amigos com um disco lindo da cantora Joyce. O nome é Passarinho Urbano e eu o encontrei nas minhas andanças pelo norte, remexendo nas coleções de parentes, à procura de coisas antigas para escutar.

Agradeço logo à minha madrinha Cecy pela generosidade e bom gosto – por todos esses anos de boa música e arte.

Passarinho Urbano foi gravado em 75/76 em Roma, quando Joyce fazia turnê na Europa em companhia de Vinicius de Moraes e Toquinho. Era um período duro de violência no Brasil e em outros países da América Latina, muitos músicos viviam no exílio e cantavam canções de protesto contra a ditadura e as arbitrariedades. Em Roma, Joyce conheceu o produtor musical Sérgio Bardotti, também compositor e parceiro de Chico e Vinicius. Ele a convidou para gravar um disco para a série Folk Internazionale, da gravadora Fonit Cetra, mas só com músicas urbanas do Brasil.

Então, Joyce foi lá no seu baú e tirou peças lindas, sambas antigos e canções que carregavam a marca da resistência de vários períodos da história do país. Como “De frente pro crime”, da dupla Aldir Blanc e João Bosco, uma crônica das ruas que Joyce interpreta magistralmente. Há também o samba inaugural “Pelo telefone”, de Donga, aqui numa roupagem mais conspiratória.

Outro sambista que aparece é o lírico Zé Ketti com o samba “Opinião” – Joyce canta alto o grito do povo que vive no morro “Podem me prender / Podem me bater / Podem até deixar-me sem comer / Mas eu não mudo de opinião / Daqui do morro eu não saio, não / Daqui do morro eu não saio, não.”

Passarinho urbano também canta Chico Buarque (Acorda amor), Paulinho da Viola (o já clássico Quatorze anos), Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro (Pesadelo), Vinicius e Carlos Lyra (Marcha da quarta-feira de cinzas)…

Canta Sillas de Oliveira (Radiopatrulha), tem mais Capinan e Edu Lobo (Viola fora de moda), além de um samba lindo do compositor Sidney Miller (Pede Passagem).

Quem conhece aquela lenda que conta o nascimento do samba? Aquela tal anedota, cheia de humor carioca do “eu te cutuco, não cutuca”? Em “A história do Samba”, do compositor ‘quase desconhecido’ Geraldo Figueiredo, escutamos a história verdadeira.

A última faixa do disco é “Passarinho”, letra de Mário Quintana e música de Joyce. Diz assim “Todos que aí estão / Atravancando o meu caminho / Eles passarão / Eu passarinho!!”

É isso, Passarinho urbano foi lançado em 77 aqui no Brasil. O disco que encontrei na casa da madrinha foi uma regravação de 2003. Pra não esquecer, Joyce gravou todas as faixas só, num formato voz e violão e a percussão de Mutinho e Azeitona acompanhando (dois craques que tocavam naquela época com Toquinho).

ps. Esse texto foi publicado originalmente no blog Caserna Cultural (minha primeira experiência na web). Os posts que não ficaram antigos, eu irei republicar aqui, nas páginas do Prosa com Cultura.

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Uma resposta para “Disco na Vitrola 1

  1. fala meu caro! é isso mesmo, mbora explorar mais o seu talento e olha que já venho com as maquetes para regravar essas relíquias que fussas.
    abração.

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